Recentemente uma onda de protestos e revoluções tem tomado os países árabes. Começou com a Tunísia, contaminando Argélia, Marrocos, Egito e Líbia, no norte da África e se espalhou pelo Iêmen, Bahrein, Iraque, Jordânia e Síria, no Oriente Médio.
As revoltas têm por objetivo derrubar governos totalitários e instaurar um regime democrático nos países, pois grande parte de seus governos foi conseguida através de golpes militares, e estão no poder há anos e até mesmo décadas (caso de Muammar Qadaffi, há 42 anos no poder). Nos casos onde há monarquia e, geralmente, o monarca é um descendente do profeta Mohammad (caso do rei Mohammad V do Marrocos), exige-se uma diminuição dos poderes do rei, por exemplo, que a escolha do primeiro-ministro seja democrática, pois neste país, o rei tem pleno poder e é o próprio quem escolhe seu premiê.
Porém, muitas outras questões orbitam estas revoluções, em especial na Líbia, onde já perdura há considerável tempo, e tem causado mais perdas humanas, tendo até mesmo intervenção das forças armadas internacionais autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Muammar Qadaffi viu seu exército se dividir em dois, e uma parte apoia os manifestantes e, armados, tomam várias cidades organizando governos paralelos, enquanto a outra mantêm-se ao seu lado. Em resposta a isso, Qadaffi bombardeia estas cidades ocupadas massacrando o próprio povo.
Os EUA e os países europeus apoiaram essas ditaduras nestes países por décadas, assegurando assim, o controle do petróleo na região e mantendo a segurança de Israel, seu principal aliado no Oriente Médio. Os países exigem um modelo de regime de democracia ocidental, pautado pelas leis da religião islâmica. Porém, há o receio da ascensão de um regime islâmico por parte dos Estados Unidos, Europa e Israel, o que abalaria as relações entre os países ocidentais e os países árabes, em especial no setor comercial petroleiro, do qual estes países são os maiores fornecedores mundiais. Uma intervenção ocidental nestas revoluções serviria para garantir a zona de influência nos países árabes e manter a estabilidade nas relações econômicas, visto que a comunidade internacional (majoritariamente ocidental) instituiria um governo mais “aberto” politicamente e, em especial, comercialmente ao mundo ocidental. Contudo, o povo árabe rejeita essa intervenção, chamada por eles de “imperialista”, pois sabem que é puramente interesseira, e continuará havendo a remessa de lucro do petróleo da região às multinacionais que exploram este recurso lá, enquanto a população não poderá desfrutar dos benefícios conseguidos com este comércio e continuarão miseráveis.
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