quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

As Relações Internacionais após o escândalo WikiLeaks

As Relações Internacionais, sejam elas performadas por estados, empresas, organizações internacionais, ONGs etc... são algo parecido como um campo minado.

O ambiente é tenso e a linha entre a cooperação e o conflito é sempre tênue e instável, justamente pela falta de clareza, interesses conflitantes, e desconfiança mútua.

As relações, sejam elas estatais, privadas, não-governamentais quer queira, quer não são baseadas em relações humanas e por ser algo parecido como andar em cacos de vidro, a diplomacia é algo que requer um protocolo, etiqueta, discrição, em níveis elevadíssimos.

Falar mal, todos sabem que todos falam. Tentar saber o que o outro sabe, todos fazem e todos querem saber. Mas saber do discurso por trás do discursos (Teorias Pós-Modernas), o verdadeiro significado das ações, a motivação, as intensões do player principal do cenário internacional é algo almejado por todas as embaixadas do mundo.

Do ponto de vista do senso comum, as declarações que foram, e que ainda vão ser divulgadas pelo WikiLeaks podem não ter valor nenhum, e não passar de mero ataque (irresponsável) an estabilidade mundial, ou algo parecido com isso.

Mas para quem está envolvido nesse ambiente, para quem qualquer tipo de informação é importante para decisões de políticas externas, decisões comerciais, e qualquer outro tipo de relação possível entre dois estados e seus representantes as informações vazadas pelo WikiLeaks são de suma importância, e com um valor incomensurável.

Imagine vocês representantes dos interesses de um estado, ou empresa, prestes a fechar um acordo com o governo "x". Você gostaria ou não de saber o que realmente motiva a outra parte nessa situação, quais são os verdadeiros interesses por trás do discursso.

O que quero expor aqui, é que respeito a opinião do autor do texto e não considero que seja certo, nem tampouco errado. É apenas um ponto de vista. Mas para as relações internacionais, para a diplomacia, eu parafrasearei o chanceler Franco Frattini: "É um 11 de setembro para a diplomacia mundial".

A maneira como os governos estão lidando com as informações, muito embora discreta e sem muitas declarações escondem a "polvoroza" criada pelos documentos. E a maior prova disse é a prisão do fundador do site. Me expliquem como alguém que não matou ninguém, não traficou, não roubou e é apenas SUSPEITO de assédio/estupro pode ser uma das pessoas mais procuradas pela InterPol?

E vocês já pararam pra pensar como é fácil forjar um crime como esses? Paga-se tanto para uma mulher, e ela afirma que foi assediada pelo cara.

Não estou dizendo que foi isso que aconteceu, mas seria de bom grado levar em consideração outras hipóteses, tentar enxergar por outro ponto de vista, saber, ler, entender o que é divulgado, tentar saber quais são os interesses por trás da notícia, e por fim aventar hipóteses.

Enfim, WikiLeaks está longe de ser inútil, e nunca foi tão relevante no cenário internacional. E os EEUU sabem disso muito bem.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Caso Sakineh

“Em entrevista ao jornal britânico The Times, o advogado Javid Houtan Kian pediu às potências ocidentais que continue pressionando o governo do Irã a suspender a condenação à morte de sua cliente, Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério e inicialmente sentenciada a apedrejamento.”
Fonte: Site do Jornal Opera Mundi, 28/08/2010, (http://operamundi.uol.com.br/noticias_ver.php?idConteudo=6009)

Segundo a sharia, a lei islâmica, uma mulher acusada de adultério deve ser apedrejada até a morte em público, caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana acusada de adultério recentemente.
A comunidade internacional mobilizou-se para que fosse revogada sua pena. O presidente brasileiro, Luiz Inácio “Lula” da Silva, que mais recentemente estreitou relações com Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, ofereceu asilo para Sakineh afim de que não fosse executada dessa forma, pois ele é o político que teria mais influência sobre as opiniões do presidente daquele país. Jornais conservadores do país islâmico condenaram veementemente a posição do nosso presidente dizendo que “ele estaria interferindo em assuntos internos do Irã”. Mais tarde houve a declaração formal de que a oferta de Lula havia sido recusada pelo governo iraniano.
A União Europeia manifestou-se dia 27 deste mês de agosto contra o que o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, classificou como “prática de outros tempos” e anunciou o envio de uma carta de todos os Estados-membros da UE às autoridades de Teerã colocando uma gestão discreta frente a eles.
A questão acerca deste assunto é: Até que ponto a cultura de um país não deve sofrer intervenção de outro? Quais seriam os limites para que uma condenação severa, até mesmo de morte, seja tratada como “assunto interno” de determinado país? A Organização das Nações Unidas - ONU - deveria impor leis que colocassem limites às práticas culturais para que casos como este não mais ocorra?

domingo, 29 de agosto de 2010

Liberdade ou atentado?

Prestes a completar nove anos da queda das torres do World Trade Center em Nova Iorque, no fatídico dia 11 de setembro de 2001, uma nova polêmica gira em torno das memórias que surgem constantemente na mente dos americanos, em especial de quem viveu direta ou indiretamente essa tragédia.

O presidente norteamericano, Barack Obama, liberou a construção de uma mesquita a apenas um quarteirão de distância do lugar onde ficavam as torres gêmeas, considerado por muitos um memorial às vítimas do duplo ataque terrorista organizado pelo grupo Al Qaeda, liderado por Osama Bin Laden. Muitos concordam, pois há a questão da luta pelo direito de igualdade dos muçulmanos, mas uma grande maioria é contra por considerar um prêmio de vitória aos terroristas, principalmente aqueles que perderam um membro da família ou um amigo.

Agora a grande questão pertinente a nossa área de Relações Internacionais: Devemos nos esforçar, apesar da história e de fatos que nos levem contra os muçulmanos, e lutar pela igualdade? Devemos responsabilizar um grupo inteiro pela ação de alguns de seus membros? Devemos considerar uma ofensa à memória das vítimas dos ataques, vendo a construção dessa mesquita como um prêmio de vitória aos muçulmanos terroristas pela ação?
        

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Casamento gay. Quando acontecerá no Brasil?

Ultimamente tenho percebido uma onda de aprovações de casamentos entre pessoas do mesmo sexo pelo do mundo, países como Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, alguns Estados dos EUA como Massachusetts, Connecticut, Iowa, Vermont, New Hampshire onde a lei já vigora há algum tempo, e mais recentemente Portugal, Islândia, Argentina, Washington D.C. e a região da Cidade do México, onde até mesmo a adoção de crianças foi aprovada nesta segunda-feira, e a Costa Rica começa a cogitar o reconhecimento legal desse tipo de união.
Há algum tempo foi cogitada essa hipótese no Brasil, mas assim como várias leis, empacou. Agora que nossos hermanos aprovaram a lei, a comunidade internacional começa a voltar os olhos novamente para o Brasil, país tão reconhecido por sua liberdade escancarada, ainda não oficializou algo que existe há muito tempo no país. É evidente que existem milhares, senão milhões de gays que moram jutos, levam a vida de um casal normal, mas não tem sua união formalizada. Por que motivo ainda não temos uma lei que oficialize a união desses casais? Uma justificativa seria que "o Brasil é o maior país católico do mundo". Mas, O Brasil tem a maior Parada do Orgulho Gay do mundo, é um dos países com o maior número de habitantes declaradamente gays do mundo, isso não é o bastante? Se não, mais uma: O Brasil é um Estado laico, pelo menos na teoria, e porque ainda se submete a decisões de cunho religioso?
A Igreja tem questões muito mais relevantes a serem tratadas como o número de pessoas que perdem suas almas para o mundo das drogas, ou que estão cada vez menos se importando em tirar a vida do outro, e frequentemente das formas mais absurdas que se pode imaginar, e se esquecendo daquele mandamento que diz "Amai-vos uns aos outros", e poderia usar esse mesmo mandamento para se conscientizar de que toda e qualquer forma de amor deve ser vista como sagrada, e se perguntar porque o mesmo sentimento que é tão sublime e tão nobre é o mesmo sentimento que pode condenar alguém.

Quanto a adoção de crianças por casais homossexuais, acredito que é preferível ver uma criança ser bem tratada por um casal homossexual e que possa dá-la todo o carinho e afeto a ver uma criança ser mal tratada pelas ruas e ser obrigada a se expor a todo tipo de perigo que as ruas possam oferecê-las, pois se ela está para adoção é porque é fruto de uma relação heterossexual irresponsável. Melhor ser filho de um casal homossexual que ser obrigado a se prostituir pelas ruas e por mais filhos no mundo, frutos de relacionamentos heterossexuais irresponsáveis. Tenho absoluta certeza que um casal homossexual conseguirá educar essa criança muito bem para que ela seja um adulto com uma visão de mundo muito mais ampla que aqueles que acreditam que homossexualidade é sinônimo de perversão.

Imagem retirada de http://operamundi.uol.com.br/noticias/SUPREMO+MEXICANO+PERMITE+ADOCAO+POR+CASAIS+GAYS+NO+DISTRITO+FEDERAL_5740.shtml

domingo, 8 de agosto de 2010

Questões para reflexão

Ontem eu estava a ver um site de fotojornalismo quando minha curiosidade me levou a um álbum de fotos sobre a guerra no Iraque, e comecei a reparar na forma como as fotos se apresentavam, quando apareciam americanos as fotos eram tocantes e emocionantes, quando apareciam os árabes elas eram chocantes e desagradáveis de se ver. Isso me despertou uma revolta tão grande, porque todos pensam que os vilões são os árabes, mas alguém já tentou ver o outro lado da moeda? Por que nos comovemos tanto quando um soldado americano é assassinado, mas pouco nos importamos ao ver que centenas de inocentes foram massacrados da forma mais cruel possível? Por que ao ver uma mãe americana enlutada e aos prantos por seu filho que foi morto em combate ficamos indignados, mas não ficamos tanto assim quando vemos uma mãe árabe que acaba de ver seu filho ser brutalmente assassinado e junto com ele ver as esperanças de um futuro melhor para ele e toda a família desmoronarem.Até quando aceitaremos tudo que os líderes das grandes nações ditam como verdade absoluta? Até quando nos acomodaremos nas informações passadas pelos meios de comunicação e não tentaremos nos colocar no lugar dos outros? Afinal de contas, estamos lidando com seres humanos, não importa se são de uma etnia ou outra, ali estão sonhos, esperanças, sentimentos que são destruídos na fração de um segundo ao apertar de um gatilho. Até quando a sombra da ganância cegará os olhos dos líderes das grandes potências para enxergar as vidas que são ceifadas para satisfazer sua insaciável sede de poder e dinheiro. Até quando será necessário que sangue seja derramado para que o poder seja afirmado? Até quando será válida aquela frase "se vi pax para bellum" ou seja, "se queres paz, prepara-te para a guerra"? Isto é, até quando se justifica uma guerra com a busca pela paz? O conceito de paz que aprendi é muito diferente do que vejo hoje, e o que vejo hoje está longe de me agradar.

Especial agradecimento ao site http://www.boston.com/bigpicture/

terça-feira, 27 de julho de 2010

Serviço Diplomático Comum na União Europeia

"A União Europeia aprovou formalmente nesta segunda-feira (26/7) a criação de um serviço diplomático comum, pelo que os 27 países estarão representados no mundo a partir de dezembro com uma só voz.

Após quatro meses de negociações difíceis entre as instituições e os governos da UE, os ministros de Exteriores da UE deram hoje sinal verde ao Serviço Europeu de Ação Exterior (SEAE)."

Fonte: site Opera Mundi
(http://operamundi.uol.com.br/noticias/UNIAO+EUROPEIA+APROVA+SERVICO+DIPLOMATICO+COMUM_5281.shtml)

Gostaria de compartilhar com meus colegas de curso esta mais nova "façanha" europeia. Como visto acima, a União Europeia está cada vez mais colocando em prática o sentido de cooperação internacional, unificando seus interesses, antes apenas econômicos e agora, mais do que nunca, políticos. No entanto, deve-se levar em consideração que dentro da própria Europa há fortes divergências de interesses entre os próprios países, especialmente no que diz respeito ao foco sobre os países de maior destaque, em grande parte econômico, foco este que deixaram de ter sobre a Grécia, Portugal e Espanha e que levou à crise do Euro recentemente, já que não coincidentemente são os "primos pobres" da UE.
Porém, decisões tão complexas e, pode-se dizer até mesmo delicadas, mostram que é possível desenvolver o senso de cooperação entre países dentro de um bloco econômico, quisera nós latino-americanos chegarmos a este patamar.
O que nos resta a fazer agora, futuros profissionais de Relações Internacionais, é ver o resultado desta nova revolução na nossa área com mais essa decisão, no mínimo peculiar, à qual deveremos nos adaptar, pois ao que tudo indica, estamos vivendo uma fase de verdadeiras transições em vários aspectos, portanto, atentemo-nos à elas.