segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O povo não deve temer seus governantes; são os governantes quem devem temer seu povo!

Baseando-me na frase retirada do filme V for Vendetta (V de Vingança) eu interpreto os atuais acontecimentos que vem ocorrendo no Egito desde o dia 24/01.


Após 30 anos de um governo ditatorial, corrupto e anti-democrático, por algum motivo (fontes citam a crise econômica, mas existe "mais fogo de onde sai toda essa fumaça") a população iniciou uma série de protestos nas ruas da capital egípcia Cairo reinvidicando uma reforma política no país, e o desmantelamento do atual governo.

Como acontece em todos regimes ditatoriais, o governo tentou reprimir os protestos de forma brutal aos olhos do mundo (até o bloqueio das transmições do canal Al Jazeera e da internet). E como num passe de mágica os governos de outros países "descobriram" a situação em que vive a população.

Dessa forma, muitos países se vêem em uma situação complicada:
1 - Apoiar o movimento popular, e exigir a reforma política de um regime ditatorial para um regime democrático;

2 - Ou continuar a fazer vistas grossas, para continuar a obter o apoio do governo de um país com forte representatividade no mundo Árabe.

Como sempre, os interesses que motivam essa "difícil" decisão estão longe de serem humanitários, democráticos, justos e estão muito mais próximos de decisões políticas-financeiras.
Enquanto isso o atual presidente (leia-se ditador) Mubarak "se esperneia" afim de garantir o apoio dos militares, nomeando como vice um general do alto escalão das forças armadas, Omar Suleiman.

Mas ao mesmo tempo, parece que inclusive o exército é condescendente na tentativa de reprimir os protestos, demonstrando uma certa hesitação em assumir um posicionamento claro nessa situação.

O povo continua se manifestando, ignorando o toque de recolher, e enfrentando as forças de repressão. E nessa odisséia o saldo de mortos já ronda a casa dos 100.

O preço pago por esse movimento é alto, assim como foi o preço que muitos pais e avós nossos pagaram para o reestabelecimento da democracia. Mas, mais alto do que esse preço seria o fracasso do movimento popular.

Em meio a tantas notícias veiculadas nos meios de comunicações nos dias de hoje, é bom entender e saber o que acontece e qual é a causa dos acontecimentos no Egito. E mesmo sem poder influenciar muito, devemos apoiar um movimento popular, que por enquanto se apoia sem nenhuma bandeira partidária (por enquanto), e sim é liderada por jovens estudantes e pela população pobre cansada de ser açoitada nesses 30anos pelo regime de Hosni Mubarak.

Sinto falta de movimentos parecidos com este, aqui no Brasil.
Que mesmo diante de tantos escândalos, continua passívo, "Deitado eternamente(...)"

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